Caos na Polónia e o papel dos grupos
Na Polónia vive-se um autêntico caos nas ruas e tudo por questões sociais e políticas, mais concretamente por causa de uma decisão em que o aborto fica ainda mais restringido. O Governo de lá tinha a pretensão, há já algum tempo, de proibir as mulheres de abortarem em caso de malformação do feto. Algo que entra em consonância com as intenções dos representantes da Igreja, que têm uma grande influência e lobby no peso das decisões. Conseguiram mesmo isso, e até graças ao Tribunal Constitucional, pois este último organismo declarou ilegal essa prática abortiva, na semana passada.
Quem acompanha minimamente o que se passa no exterior neste tipo de questões sabe que a Polónia é um dos países mais conservadores do continente europeu. Para se ter noção, com esta proibição, só é possível agora abortar em casos de incesto, violação ou risco de vida para a mulher. Estes três últimos factores representaram oficialmente 26 abortos, enquanto que a malformação foi a razão de 1074 casos, no ano passado!
Logicamente que isto fez com que se gerasse uma autêntica revolta por lá. Milhares de pessoas, sendo obviamente as mulheres a grande maioria, têm saído às ruas nas mais diversas cidades. As restrições por causa da pandemia pouco ou nada têm evitado as manifestações.
Quem se aproveitou e se colou a estes protestos foram grupos antifascistas locais, que não têm grande peso na Polónia comparativamente a outros países. Decidiram vandalizar monumentos, principalmente igrejas, espalhando muitas vezes os seus símbolos e também ilustrações e mensagens LGBTs.
Provavelmente estão a estranhar toda esta conversa sobre temas da sociedade que pouco ou nada envolvem a cena ultra e de adepto, mas é aqui que entram os grupos polacos. Como sabem, a grande maioria deles estão muito associados à extrema-direita, decidindo então ir para as ruas, em resposta aos activistas antifascistas. Concentraram-se maioritariamente em frente a igrejas ou outros monumentos e estátuas que "atraíssem" esse tipo de manifestantes mais radicais e defenderam aquilo que consideram ser o território e a história do país. Muitos confrontos têm surgido, o cenário, em muitos casos, é de autênticas batalhas campais. Praticamente todos os dias ao longo desta última semana têm havido incidentes nas ruas.
Os ultras têm sido acusados de serem milícias do PiS [partido que está no Governo], mas refutam essas acusações. Em imensas textos e mensagens dos mais variados grupos, afirmam que estão solidários com a manifestação das mulheres, que respeitam e nada têm contra a sua luta. A questão é que, têm referido também, não iam ficar de braços cruzados com aquilo que outros estavam a fazer.
Por serem grupos de tantos clubes, em vários dias e em imensas cidades, mostramos alguns desses casos...
Ultras do Lech Poznan a limparem as vandalizações num monumento
Desenho feito por ultras do Lechia Gdansk, em memória de um antigo coronel polaco, vandalizado
Śląsk Wrocław: "Não estamos contra as mulheres nem a mando do regime de PiS. Defendemos a tradição e combatemos quem destrói o património nacional!"
Resovia Rzeszów: "Mulheres, estamos convosco. Não com destruidores de monumentos históricos."
JKS Jaroslaw
Gryf Słupsk: "Mulheres, não estamos a lutar contra vocês, mas sim contra os esquerdistas"

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